sábado, 16 de janeiro de 2016

LAS MISIONES JESUÍTICO GUARANÍES


Depois de muitos meses sem viajar de moto, resolvemos por os pés, digo, a moto na estrada. Viagem curta, sair um pouco do tumulto que está a nossa Balneário Camboriú agora em plena temporada de veraneio, com turistas do mundo todo a se deliciarem com nossas praias. Escolhemos conhecer as ruínas das missões jesuítas na Argentina, mais precisamente na cidade de San Ignácio, Província de Misiones, depois de obter algumas preciosas informações com o nosso grande amigo Paulo Gaida, de Curitiba, profundo conhecedor da região.
Eu e nossa Harley, prontos para mais uma jornada.
E para esta empreitada, iremos de Harley. Nossa velha Harley, como carinhosamente a chamamos, por já estarmos com ela desde abril/2010, com ela já termos rodado mais de cem mil quilômetros, com ela percorrido estradas nas Três Américas, até atingirmos o Oceano Ártico em Prudhoe Bay, no Alasca, mas principalmente, porque é gostoso viajar de Harley.
Difícil explicar. Fácil de entender (para quem viaja de Harley).
Ponte Anita Garibaldi, na BR 101, em Laguna, SC.
Primeiro dia de viagem – 5 de janeiro, terça-feira - concluído com sucesso. Choveu um pouco, mas não tirou o prazer de pilotar a moto. Fomos até Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Nesta cidade reside amigo dos bons tempos de caserna. Servimos juntos no QG do Exército em Brasília, onde iniciamos sólida amizade. E amanhã, 6 de janeiro, ele está de aniversário. Quero fazer surpresa. Chegar de supetão e aplicar-lhe uns bons “quebra-costelas”. Mas isto é para amanhã.
Para não estragar a surpresa, fomos para um hotel, o Residencial Ocean, adrede reservado em um site apropriado.
Estávamos curiosos para conhecer este hotel, especialmente depois que recebi a mensagem:
“Olá, agradeço por ter nos escolhido para sua estadia em Santa Maria/RS. Gostaria de informar que a chave de seu apartamento nº **** estará na respectiva caixinha de correspondências a partir das 14 horas. O Box de garagem é o nº **. Precisando pode nos chamar também pelo whatsapp 55 55 9671 ****. Atenciosamente, Bruno Ocean Apartments Santa Maria.”
Muitas perguntas me vieram à mente: como assim, chave na caixinha de correspondências? Precisando pode nos chamar pelo whatsapp? E a portaria? E o porteiro do hotel? E quem vai carregar minha bagagem?
No endereço indicado encontramos um prédio de apartamentos, com aparência de recém construído. Nada de placa de hotel, nada de portaria de hotel. Um prédio residencial como outro qualquer. E na entrada do prédio, um conjunto de escaninhos (caixas de correspondências), na certa uma para cada apartamento. Eram muitas, todas trancadas a chave. Todas, menos uma: aquela cujo número nos foi repassado. E em seu interior, encoberto por algumas correspondências, um chaveiro, inclusive com um controle remoto do portão da garagem. Testamos e o portão se abriu. Não foi difícil encontrar o nosso apartamento, depois de estacionar a moto no respectivo Box. Ficamos surpresos: um pequeno apartamento de duas peças – cozinha e quarto – mais banheiro e área de serviço, completamente mobiliado. E tudo novo. Na porta da geladeira, mais instruções. Tudo o que precisávamos estava ali, bem à nossa mão. Sem dúvida, uma nova experiência em termos de hotel.

Dia seguinte, 6 de janeiro, dia de cumprimentar meu amigo. E lá fomos nós. Mas... surpresa! Ninguém em casa. Conseguimos contatar com o filho dele. Fora passear numa cidade vizinha, deverá voltar lá pelas dez da noite. Oh!
Então o nosso reencontro ficará para amanhã. Bem cedo, antes de seguirmos viagem, passaremos por aqui. Sem falta. Favor avisar a ele.
Reencontrar velhos amigos, amigos de caserna, é sempre um prazer à parte. Costumo dizer sempre, que as amizades forjadas nas duras lides dos quartéis, são eternas. Lá aprendemos a exata noção do que é o companheirismo, a lealdade, o civismo, o amor à Pátria, o dever acima de tudo. E a empolgação foi tanta, que depois de algumas horas de animado bate-papo nos despedimos, sem que me lembrasse de fazer uma foto sequer. Que lástima!
Segunda etapa da viagem (Santa Maria a San Ignacio) concluída com sucesso. Andamos um pouquinho mais, por conta de trecho da estrada interrompida entre São Luiz Gonzaga e Porto Xavier, por onde entraríamos na Argentina. Foram somente 155 Km a mais, por São Borja, que a velha Harley venceu fácil. A viagem está muito gostosa. Desestressante. Tranquila.
Em San Ignácio nos hospedamos no Hotel Portal Del Sol.
A propósito de publicação minha no Facebook, dando conta que estávamos na região, outro amigo de caserna adicionou o seguinte comentário:
Gilson Chrestani: Legal "Bechão" essa região tem uma história muito rica!! Foi fundada com o fim da guerra do Paraguai, aliás, existe um ditado que diz que em guerra a história é contada pelos vencedores! A propósito disso envio-te um link que vi publicado no face de um grande amigo paraguaio (grande mestre de xadrez) que mora no Brasi pra VC ler com calma, talvez depois que retornar sobre o tema, vale a pena conhecer! HTTP://www.amambaynoticias.com.py/m/leer.php?id=2619#.VahQpCHE6ii.facebook
Li e achei bastante interessante. Algo semelhante ao que acontece em nosso país, nos dias atuais.


LAS MISIONES JESUÍTICO GUARANIES - Missão San Ignacio: fundada em 1696 e saqueada e destruída em 1815 - 1818.
Entre os anos 1609 e 1818, nos territórios do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, aconteceu um dos mais impactantes episódios da humanidade: As Missões GUARANIES, uma experiência social, cultural e religiosa única no seu tipo, iniciada pela Companhia de Jesus. Uma organização que foi a admiração e assombro para os que sonhavam com utopias, enquanto despertava suspeitas nos que desejam o poder político.
Enfraquecidas pela expulsão dos Jesuítas em 1767, destruídas pelas invasões portuguesas e paraguaias, ficou o extraordinário exemplo de uma experiência civilizadora inédita no mundo inteiro. A riqueza arqueológica, o caminho dos povos, seus centros de cultura e universidades, a toponímia ainda vigente na paisagem que integrados ao espaço atual do MERCOSUL formam o Circuito Internacional das Missões Jesuíticas.
Postagem minha no Facebook sobre este assunto, recebeu o comentário:
Arnaldo Schmitt Jr.: Dignas de serem estudadas e visitadas, inclusive com o espetáculo de vídeo, fogos e luzes nas ruínas de S. Miguel. Parabéns a vocês, pelos belos passeios que têm feito. Sabem curtir essa fase maravilhosa da vida.
Muito grato amigo Arnaldo pelas bondosas palavras.
Aqui em San Ignácio também existia uma espetáculo noturno, com efeitos sonoros e jogo de luzes e imagens. Mas as recentes chuvas na região danificaram o equipamento, restando prejudicado o espetáculo. Que pena! Por se tratar de equipamento importado, não há previsão de conserto.
Aspecto das ruínas. Casas construídas em pedra, varangas com extensos passeios, ruas largas, urbanização perfeita das quadras.

No centro da Missão, a Plaza de Armas. Ao fundo, a igreja.

O que sobrou da entrada principal da igreja.

Interior da igreja. De se observar, o que restou do assoalho. Ladrilhos formando interessantes mosaicos.

Minha companheira posando ao lado (de fora) da igreja.

Mais um aspecto do arruamento da missão.


Vista geral da Plaza de Armas e entrada principal da igreja.

Atento, este fotógrafo procurando os melhores ângulos para bem registrar a visita.

É nós na foto. Ao fundo, a fachada principal da igreja.

Detalhe da fachada principal da igreja.

Detalhe de porta lateral da igreja.

Boquiaberto assistindo atentamente as ricas explicações do guia.

É nós mais uma vez!

Reconstituição fotográfica da fachada principal da igreja.

Igreja no centro da cidade.

Outro aspecto dos longos passeios, calçadas para pedestres, na época cobertas para propiciar sombra aos transeuntes, já que o sol por aqui era, e é, inclemente.
Terceira etapa da viagem: San Ignacio, Província de Missiones, Argentina, a Foz do Iguaçú, Paraná. Somente 250 Km pela Ruta 12, que a Velha Harley venceu sem dificuldades. Aliás, é bom que se diga, as rodovias argentinas são excelentes: bem conservadas, curvas suaves, terceira pista nos aclives, e nada de radares e das odiosas lombadas. Gasolina cara: em torno de 16 pesos o litro, representando mais de 4 reais. Prova disso, em Puerto Iguazu, onde tradicionalmente haviam enormes filas de carros brasileiros nos postos de gasolina, agora nenhum.
A formidável Ruta 12, na Argentina

Em Jardim America, fila para abastecer.

Ainda na Ruta 12

Chegando...

Fila na aduana Argentina

Avenida de acesso à Barragem de Itaipu.



Painel do Poty - Painel em azulejos que retrata cenas marcantes da época da construção de Itaipu, composto pelo artista paranaense Poty Lazzarotto..

Um chopp prá distrair...
Quarta e última etapa da viagem: Foz do Iguaçu, Paraná a Balneário Camboriú, Santa Catarina, com direito a uma parada em Ponta Grossa, para rever meus familiares que lá residem.
De volta à triste realidade das rodovias brasileiras. Sucateadas, mesmo as pedagiadas, como é o caso das BR 277, que liga Foz a Paranaguá, como as BR 376 e 101, que ligam Curitiba a Balneário Camboriú. No primeiro caso, é mais gritante o descaso, no trecho que Foz a Ponta Grossa, rodovia de pista simples, com transito intenso de pesados e lentos caminhões, ocasionando longas filas de veículos menores, pela quase inexistência de terceira pista para permitir a ultrapassagem. E o valor do pedágio é verdadeiro assalto. Coisas do Brasil.

O objetivo de nossa viagem, foi visitar as Ruínas Jesuíticas de San Ignácio, na cidade de mesmo nome, Província de Misiones, Argentina. Um espetáculo que vale a visita. Este sítio faz parte de um conjunto de mais de trinta missões jesuíticas fundadas pela Companhia de Jesus, em território hoje pertencente ao Brasil (Rio Grande do Sul), Argentina (Misiones) e Paraguay (Misiones), para pacificar e civilizar os índios guaranis, habitantes do local. As fotos em anexo, falam por si.
Em passando por Ponta Grossa, matamos as saudades dos parentes, principalmente minhas irmãs Roseli e Sueli. Muito obrigado manas, pela excelente recepção. Também, agradeço de coração, a paciência que tiveram conosco Sueli e Arismar, ao nos acompanharem até o pronto socorro da cidade. Terezinha não passou bem. Medicada, pudemos seguir viagem, e na tarde do dia 13, quarta-feira, chegamos em casa, depois de rodarmos 2.700 quilômetros aproximadamente.
Importante frisar, o comportamento da nossa velha Harley. Já com mais de 117 mil quilômetros rodados, portou-se à altura da lenda que é a marca. Só alegria.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Patagônia, uma viagem inesquecível

De 7 a 11 de janeiro
Nossa viagem está chegando ao final. Ainda faltam alguns dias, poucos dias para chegarmos em casa, mas o término está muito próximo. Estamos no vigésimo primeiro dia de viagem, e percebo que os vinte dias que passamos juntos com nossos parceiros, simplesmente voaram.
Melhor deixar esse pensamento para lá, e curtir a estrada, a Ruta Nacional 152, que corta a Província de La Pampa, a região mais árida da Argentina.
Fomos notícia num jornal de Neuquén 
Aí está a reportagem, na íntegra. 
Em algum ponto da Província de La Pampa... 
As poderosas GTL vencendo a imensidão 
Neuquén a Santa Rosa: o trecho percorrido nesse 21º dia de viagem
Optamos por não entrar na Capital Federal, evitando assim os congestionamentos normais das grandes cidades. Pernoitamos em Campana, simpática cidade às margens do Rio Paraná.
Em Campana, todo o grupo num excelente jantar
Santa Rosa a Campana: o trecho percorrido nesse 22º dia de viagem
No dia seguinte, faríamos nossa última oração matinal com todos juntos. Esse gesto se incorporou definitivamente em nossa rotina. Haveriam outras orações, mas sem a presença de Giba e Ester. Ali nos despedimos. Eles seguiram direto pela Ruta 9 para Assunção, no Paraguai, onde visitariam parentes, e de lá seguiriam para casa, em Cuiabá. Vão com Deus amigos. Cuidem-se.
Em Zárate cruzamos o Rio Paraná, e em Colón cruzamos o Rio Uruguai, entrando na Uruguay pela cidade de Paysandu. À metade da tarde, já estávamos no Brasil, em Santana do Livramento. Folga e uma rápida corrida às compras nas lojas francas de Rivera. Bem, foi mais um passeio pelas lojas, já que não havia lugar na bagagem para nada.
Lá vão Giba e Ester. Até breve, amigos! 
Finalmente de volta ao Brasil
Campana a Santana do Livramento: o trecho percorrido nesse 23º dia de viagem

À noite jantar com comida brasileira, comemorando a volta à pátria. Mas, um pouco triste. Triste pela falta da alegria contagiante do Giba e Ester, e porque na manhã seguinte, Alcir e Romy sairiam mais cedo, pois tinham compromisso em Balneário onde queriam chegar numa só tocada. Nós optamos por dormir até um pouco mais tarde, tocar até Porto Alegre para pernoitar e somente chegar em casa no dia seguinte, domingo.
De quebra, ainda em Porto Alegre, Paulinho e Ana Célia jantaram conosco. Boa companhia.
Prontos para mais uma jornada

Santana do Livramento a Porto Alegre: o trecho percorrido nesse 24º dia de viagem
Domingo ensolarado, com previsão de chuva para a tarde. Último dia de viagem, nenhum problema se chover. Aliás, a chuva pouco nos incomodou durante toda a viagem.
Leo e Edileuza ficaram em Porto Alegre.
Então seguimos, as duas motos restantes, nós e João e Mariléia, para a última etapa de uma viagem maravilhosa.
Agradeço a Deus por ter nos acompanhado durante todo o trajeto, protegendo-nos a todos. Nenhum acidente, nada que pudesse macular o passeio. De se ressaltar o elevado espírito de união, companheirismo, camaradagem e amizade que reinou entre o grupo, o tempo todo.
Uma viagem para nunca mais esquecer.

F I M
Em Laguna, obras na ponte. Fila, Corredor. 

Em Imbituba, pausa para uma, apenas uma.

Em Palhoça, nos despedimos de João e Mariléia 
Rua 1201, em Balneário Camboriú. Em casa! 
Porto Alegre a Balneário Camboriú: o trecho percorrido nesse 25º dia de viagem