segunda-feira, 8 de agosto de 2011

De Ollantaytambo a Abancay

Aproveitamos o domingo de folga para conhecer as Salineras de Maras, próximo a Urubamba. A água salgada brota da terra, e é represada em milhares de pequenos terraços para evaporação e obtenção do sal.
Em seguida, fomos ao Conjunto Arqueológico de Moray, onde se realizava uma cerimônia em homenagem à terra, como feita antigamente, nos tempos dos Quéchuas.
E hoje pela manhã, seguimos rápido para Cusco, para fazermos o Seguro SOAT. No endereço que obtive na Internet, só fazem para peruanos. Com a ajuda de um policial de trânsito, que em sua Honda 250 me guiou até o local próprio bastante afastado do centro, onde funciona o escritório da seguradora que atende a veículos estrangeiros.

¿Qué es el SOAT?
Es el Seguro Obligatorio de Accidentes de Tránsito (SOAT) que cubre las lesiones corporales y muerte, que tú y tus acompañantes y peatones pueden sufrir por causa de un accidente de tránsito.
Todo vehículo automotor –aún sin placa de rodaje- debe contar con un SOAT, independientemente de cualquier otro tipo de seguro que se tenga contratado.

Este seguro é feito pela empresa “La Positiva Seguros Generales” - http://www.lapositiva.com.pe/generales/jerarquia/62/soat/jer.62, mas é uma dificuldade muito grande encontrar onde fazer, talvez porque, ainda seja novidade.
Paguei S/.150,00 (cento e cinquenta soles) para um mês de seguro. Me deram um certificado e um adesivo para colar na moto. Agora estou listo para rodar pelo Peru.
Nosso destino agora é Nazca. Mas, devido ao adiantado da hora (levei quase duas horas para fazer o seguro) planejo pernoitar em Abancay, distante de Cusco apenas 180 quilômetros, mas que não se percorre em menos de quatro horas, devido à grande quantidade de curvas. E é nas curvas que a GS mostra toda a sua competência. Docemente ela segue a estrada, como "água dentro de uma mangueira".
No meio da tarde, chegamos a Abancay, e nos hospedamos no Hotel Turistas.








domingo, 7 de agosto de 2011

De PM a Ollantaytambo

A saída de Puerto Maldonado foi debaixo de forte neblina, e frio de 15 graus. Com o aparecimento do sol, chegamos a confortáveis 23 graus. Nada mal.


A rodovia é nova, pavimento em bom estado, paisagem exuberante. Afinal, estamos na Amazônia Peruana. Tudo muito bom, não fossem as lombadas. Dezenas delas a retardar a nossa viagem. E quando se acabam as lombadas, começam as curvas, na subida da cordilheira.

Observamos que existe um grande trecho sem postos de gasolina, aqui chamados “grifos”, depois de Mazuco. Aliás, os grifos vendem combustíveis, e só. Nada de conveniências. Por isso é bom que os viajantes se previnam, trazendo consigo algo para comer e/ou beber, e procurar abastecer seu veículo quando o tanque de combustível estiver pela metade. Em hipótese alguma, esperar chegar na reserva.

A subida de cordilheira é um espetáculo à parte. Quase sem perceber, subimos de 200 para 4.715 metros sobre o nível do mar. Quase atingimos os picos brancos pela neve. Uma parada para apreciar a bela paisagem, saborear uma barrinha de cereais, beber um gole de água. E reforçar a roupa, afinal o termômetro marca sete graus. E é nessa hora que sentimos o mal de altitude (soroche). Dificuldade em respirar, atordoamento, náuseas, fadiga intensa. O segredo é fazer tudo devagar.

Quem parece não se importar com isso é a moto. O desempenho é exatamente o mesmo de baixas altitudes.

Outra observação importante é a autonomia da GS Adventure: abasteci em Puerto Maldonado e só fui completar o tanque aqui, na chegada, depois de rodar mais de quinhentos quilômetros. Também pudera, a capacidade do tanque é de 33 litros, segundo o manual (mas já conseguiram colocar 34).

Ao final da tarde, estávamos em Ollantaytambo, que foi uma das bases da resistência das forças de Manco Cápac contra os espanhóis, embora não estivesse completamente acabada quando da invasão.

É uma cidade que vive do turismo. É daqui que partem a maioria dos trens para Machu Picchu. Estamos hospedados no Hotel Ccapac Inka Ollanta, por indicação e orientação dos nossos amigos Manuel Quintana e Elton Marks, Grandes Caciques Fazedores de Chuva. Excelente hotel, cujo proprietário é alemão, casado com uma peruana, e que é motociclista como nós.

E vamos ficar por aqui até segunda-feira, quando então iremos a Cuzco fazer o seguro para a moto (SOAT), e depois seguiremos para Nazca, possivelmente com pernoite em Abancay.















quinta-feira, 4 de agosto de 2011

De RB a Puerto Maldonado

Saímos de Rio Branco com temperatura de 15 graus. Muito frio para os padrões locais. E o friozinho nos acompanhou o dia todo. No máximo, chegou a 22. Muito agradável para viajar em moto.
A estrada em boas condições, pouquíssimos caminhões, quase nada de movimento. A estrada era praticamente toda nossa.
Em pouco tempo estávamos na fronteira, em Assis Brasil.
No lado brasileiro, atenciosos funcionários da imigração nos orientam nos procedimentos de saída, preenchendo, inclusive, um formulário que deveríamos apresentar na imigração peruana.
E lá não foi diferente. Em poucos minutos estávamos prontos para seguir, inclusive cambiamos, ali mesmo, moeda brasileira por “Soles” peruanos.
Só ficou faltando um detalhe: desde janeiro deste ano, o Peru exige um seguro para a moto, SOAT. Não pudemos fazê-lo ali, simplesmente porque eles não têm como fazer. Fui orientado para seguir até Cusco, onde talvez consiga. Espero não me preocupar com isso.
E na primeira cidade do Peru, Iñapari, lá estava a marca registrada dos veículos deles: os Tuc-tuc. Em grande quantidade, buzinando, carregando de tudo, desde passageiros, até frutas e verduras.
Seguindo em frente, a estrada melhora. Menos curvas, pavimento novo. Só que, muitas e muitas lombadas.
Mesmo assim, no meio da tarde estávamos em Purto Maldonado. Mas antes, precisamos atravessar o rio Madre de Dios, cuja ponte está inconclusa. Balsas fazem a travessia. Balsas pequenas, frágeis, impulsionadas por motores de rabeta fazem a travessia das motos. Nenhum salva-vidas, nada de segurança. E lá vamos nós.
Já outra margem, sãos e salvos, vamos procurar um hotel. Conseguimos vaga no Cabaña Quinta. O melhor da cidade. Confortável. Em anexo, excelente restaurante, onde comemos “patacones”.

Grande e forte abraço.
Osmar e Terezinha










quarta-feira, 3 de agosto de 2011

De PV a Rio Branco

Saímos de Porto Velho com temperatura bastante amena para a época: em torno de 25 graus. E não chegou a 30 graus, durante todo o dia. Bom para viajar.
Vejo que o movimento de caminhões diminuiu bastante.  É que boa parte deles embarca em balsas, em Porto Velho, com destino a Manaus.
Dos poucos caminhões que encontramos, muitos deles carregando imensas toras de madeira, com destino às numerosas serrarias da região.
Enquanto tocamos, observo a paisagem que desfila pelas margens da estrada. As imensas plantações deram lugar à floresta, e a grandes pastagens para gado. E os ipês deram lugar às castanheiras e palmeiras. Castanheiras solitárias, enormes, parecem nos vigiar enquanto cruzamos por elas.
Na localidade de Abunã, serviço de balsa para cruzar o rio Madeira, enquanto ponte não é construída. É uma pausa na viagem, para descansar as mãos e os pés, e conhecer pessoas, que se chegam a nós, atraídos pela moto, e por nós mesmos, vestidos feito verdadeiros ETs.
No começo da tarde, chegamos a Rio Branco e nos hospedamos no Hotel Guapindaia. Bom hotel, centralíssimo, e com excelente café da manhã.
Ao final da tarde, fazia um pouco de frio, algo em torno de 22 graus. E isso é temperatura ideal para os acreanos saborearem o “tacacá”. Os acreanos e eu. Essa iguaria, típica da região amazônica, leva entre seus ingredientes, folhas de jambu, um vegetal que tem o poder de amortecer a língua. Carreguei na pimenta e mandei ver. Gostei. Língua amortecida, praticamente anestesiada, céu da boca pegando fogo e tudo o mais.
E para hoje, estava reservado um dos mais esperados momentos. Encontrei-me com um colega de turma do Exército, o Felício, que mora aqui. Fizemos juntos o curso de Infantaria na Escola de Sargentos das Armas, em Três Corações, Minas Gerais, em 1.967. Fazia quarenta e quatro anos que não nos víamos. Muita emoção. Almoçamos com ele e sua família, na chácara onde mora, e onde curte a merecida aposentadoria. Grande guerreiro!
Amanhã seguiremos viagem até Assis Brasil (330 km), onde cruzaremos para o Peru. Se possível, iremos até Puerto Maldonado (mais 215 km). Mas para isto, precisaremos levantar cedo. Vou por o despertador para as oito.
Viagem de aposentado é assim mesmo!









segunda-feira, 1 de agosto de 2011

De BC a Porto Velho

Estamos em Porto Velho, capital de Rondônia.
Saimos de Balneário Camboriú na terça-feira, dia 26/07.
Na quarta-feira, em Campo Grande, ficamos hospedados na casa dos nossos amigos Fernanda e Geraldo. E nos esperavam com uma surpresa: reuniram um grupo de amigos, os Tobas, para jantar conosco. Lá estavam o Joaquim com a Xanxan, o Calil com a Cláudia, o Benoni com a Regininha, o Toninho e a Carmen. E o Geraldo pode mostrar então, toda a sua habilidade em fazer um autêntico churrasco pantaneiro, enquanto que a Fernanda nos brindou com um pernil assado ao forno. Bom demais!
Entramos no Mato Grosso do Sul por Bataguassu. A rodovia está em bom estado, mas com intenso movimento de caminhões. E olha que não estamos em época de safra.
Dia seguinte, tocamos para Cuiabá, e por sugestão do Toninho Moraes, em Jaciara deixamos a rodovia principal, fugindo do intenso tráfego de caminhões, e rumamos para a Chapada dos Guimarães. O lugar é maravilhoso. É lá que está localizado o Centro Geodésico da América do Sul.
Em Cuiabá, logo cedo levamos a moto para revisão. Depois nosso amigo Juarez nos levou até o seu espaço, JV Garagem, nos mostrou o seu trabalho, e nos orientou sobre caminhos alternativos para Porto Velho, nosso próximo destino, que evitam o intenso tráfego dos caminhões.
E isso nos levou a Tangará da Serra, onde nos aguardavam os amigos Lang e Chesco Franciosi. Uma horinha de prosa, e já estávamos novamente na estrada, não sem antes fazermos um Citytour pela bela cidade, conduzidos pelo Chesco.
Em seguida, estávamos na Chapada dos Parecis, rodando em meio a intermináveis plantações de algodão, milho, etc., e envolvidos por uma agradável temperatura de 35º.
Estrada boa, sem movimento, longas retas, e um pedágio. Pedágio por atravessar terras indígenas. Índios da tribo Parecis cobram pela travessia de suas terras. R$10,00 a moto. São simpáticos, uniformizados, conversadores, mas se negam a uma fotografia. Que pena!
Ao final da tarde, chegamos a Rondônia, o Portal da Amazônia. Em Vilhena, nos hospedamos no novíssimo e confortável Hotel Portinari. Recomendo!
Vilhena é uma cidade bonita, planejada, cheia de vida. Gostamos.
O trecho seguinte até Porto Velho, foi debaixo de sol forte, com termômetro oscilando entre 38 e 40º, e dividindo a estrada com os caminhões. Há que ter muita paciência. Mas noto que a quantidade deles vem diminuindo.
Importante registrar, a beleza dos ipês ao longo do caminho. Ora amarelos, ora roxos, ora isolados no campo, ora reinando absolutos em capões de mato, foram uma presença constante até aqui.
Em Porto velho, estamos hospedados no recém inaugurado Hotel Oscar. Excelente.
Durante o dia de hoje, livre para passeios, visitamos a maior atração da cidade: a estação da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, totalmente recuperada.
A ferrovia foi construída entre 1.907e 1.912 para ligar Porto Velho a Guajará-Mirim, com objetivo de escoar a borracha brasileira e boliviana para fins de exportação. Ficou conhecida na época como a “Ferrovia do Diabo”, devido às milhares de mortes de trabalhadores ocorridas durante a sua construção, vítimas de doenças tropicais da região.
E ao final da tarde, fomos apreciar o por do sol no rio Madeira, considerado um dos cenários mais belos da região, pois deixam as suas águas douradas.
Para amanhã, vamos até Rio Branco, no Acre.